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ANS mantém recomendação desfavorável sobre tratamento para Hidradenite Supurativa e debate novas tecnologias em saúde

  • 17 de jul.
  • 2 min de leitura

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou, nesta sexta-feira (17), a 640ª Reunião da Diretoria Colegiada (DICOL), na qual deliberou sobre a incorporação de medicamentos e procedimentos ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que define a cobertura obrigatória dos planos de saúde.


Entre as decisões, a Agência manteve a recomendação final desfavorável à incorporação do bimequizumabe para o tratamento de adultos com hidradenite supurativa ativa, moderada a grave, que apresentaram falha, intolerância ou contraindicação ao uso de antibióticos sistêmicos.


Também foram deliberadas as seguintes recomendações:


  • Favorável à incorporação da ablação percutânea por cateter de campo pulsado para pacientes com fibrilação atrial paroxística, procedimento considerado uma alternativa às técnicas atualmente utilizadas por radiofrequência e crioablação;

  • Desfavorável à incorporação do capivasertibe em combinação com fulvestranto para o tratamento de pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático, positivo para receptores hormonais (RH+) e negativo para HER2, com alterações nos genes PIK3CA, AKT1 ou PTEN;

  • Preliminarmente favorável à incorporação da broncoscopia com criobiópsia para pacientes com suspeita de doença pulmonar intersticial que necessitam de biópsia pulmonar para confirmação diagnóstica, especialmente quando a tomografia computadorizada apresenta resultado inconclusivo.


Entenda a decisão sobre o bimequizumabe


Durante a reunião, a área técnica da ANS informou que os estudos disponíveis demonstram que o bimequizumabe apresenta benefício em relação ao placebo. No entanto, a Agência avaliou que ainda existem incertezas importantes sobre sua superioridade quando comparado aos tratamentos já disponíveis para hidradenite supurativa, como o secuquinumabe e o adalimumabe.


Segundo a apresentação técnica, a maior parte das evidências comparativas foi obtida por meio de comparações indiretas entre estudos, e não por ensaios clínicos que avaliassem diretamente os medicamentos entre si. Além disso, os resultados de curto prazo apresentaram inconsistências metodológicas e baixa qualidade das evidências.

Embora alguns estudos tenham sugerido possível melhora clínica e de qualidade de vida com o uso do bimequizumabe, a ANS considerou que essas evidências ainda apresentam baixo grau de confiança. Também foram observados sinais de maior ocorrência de eventos adversos, embora a certeza dessas informações tenha sido considerada baixa.


Avaliação econômica também apresentou incertezas


A Agência destacou que a análise econômica apresentou limitações que dificultaram concluir se a incorporação do medicamento representaria uma boa relação entre custo e benefício.


Entre os principais fatores apontados estão as incertezas relacionadas ao número de pacientes que poderiam necessitar de doses mais elevadas do tratamento e à ampla variação de preços dos biossimilares de adalimumabe disponíveis no mercado.


Dependendo das premissas utilizadas na análise, a incorporação do bimequizumabe poderia representar desde uma economia aproximada de R$ 5 milhões por ano até um custo adicional de cerca de R$ 6 milhões anuais para a saúde suplementar.


Ao final da avaliação, a ANS reconheceu que existem sinais de benefício clínico, especialmente em estudos de acompanhamento mais prolongado. Entretanto, concluiu que ainda permanecem incertezas relevantes quanto à eficácia comparativa, à segurança, à qualidade metodológica das evidências e ao impacto econômico da incorporação, mantendo, assim, a recomendação final desfavorável para inclusão do medicamento no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde.

 
 
 

1 comentário


Eric Larsen
Eric Larsen
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