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Enxaqueca crônica: o que é, causas, sintomas, tratamentos e como você pode ajudar a ampliar o cuidado no SUS

  • há 3 dias
  • 5 min de leitura


A enxaqueca crônica não é apenas uma dor de cabeça. É uma doença neurológica, ou seja, uma condição que afeta o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. Ela compromete o trabalho, os estudos, a convivência familiar e a qualidade de vida de muitos brasileiros(as) que convivem com essa condição.


Apesar de ser a 2ª doença neurológica mais incapacitante do mundo, ela ainda não recebe a atenção que merece. Pacientes convivem anos com crises recorrentes, tentando diferentes tratamentos, sem encontrar uma linha de cuidado adequado.


Neste artigo, você vai entender o que é a enxaqueca crônica, por que ela acontece e como a sociedade pode contribuir para melhorar a jornada de tratamento no SUS por meio da participação em uma Consulta Pública da Conitec.


O que é enxaqueca crônica?


Existem diferentes tipos de enxaqueca, que podem variar em termos de gravidade e intensidade. A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises de dor de cabeça que costumam ser intensas, pulsáteis (latejantes) e podem durar entre quatro horas e três dias.


Além da dor, muitas pessoas também apresentam:

  • náuseas;

  • vômitos;

  • sensibilidade intensa à luz;

  • sensibilidade aos sons;

  • sensibilidade a odores;

  • tontura;

  • piora da dor durante atividades físicas.


Quando essas crises acontecem em 15 dias ou mais por mês durante pelo menos três meses, para a enxaqueca ser considerada crônica.¹


Nesse estágio, a doença deixa de ser um episódio isolado e passa a fazer parte da rotina da pessoa, afetando diferentes aspectos da vida e impedindo uma rotina normal.


Por que a enxaqueca crônica acontece?


A enxaqueca é uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos, biológicos e ambientais.


Embora suas causas ainda não sejam totalmente compreendidas, sabe-se que ela está relacionada a alterações no funcionamento do sistema nervoso.


Diversos fatores podem desencadear ou agravar as crises, como:


  • alterações hormonais;

  • estresse;

  • privação de sono;

  • alguns alimentos, como carnes processadas, embutidos e chocolates;

  • jejum prolongado;

  • mudanças climáticas;

  • excesso de estímulos sensoriais.


É importante lembrar que esses fatores não causam a doença, mas podem desencadear crises em pessoas que já têm predisposição.



Muito além da dor: como a enxaqueca impacta a vida dos pacientes


Durante uma crise de enxaqueca, tarefas que parecem simples podem se tornar impossíveis, fazendo com que a pessoa cancele compromissos, falte ao trabalho ou aos estudos e deixe de participar de momentos importantes com a família e os amigos.


Em muitos casos, a crise pode interromper a rotina a ponto de a pessoa precisar permanecer em um ambiente silencioso e escuro por causa da intensidade da dor e da sensibilidade à luz, aos sons e aos odores, até que os sintomas melhorem.


Para quem tem enxaqueca crônica, essa realidade pode acontecer mais da metade dos dias do ano.


Para quem convive com a enxaqueca, os impactos também podem ser emocionais. O medo de uma nova crise, a ansiedade causada pela imprevisibilidade dos sintomas e a sensação de não ser compreendido podem comprometer a qualidade de vida.



Outro desafio é que a enxaqueca crônica ainda é frequentemente vista como "apenas uma dor de cabeça" — tanto por quem convive com a doença quanto pelas pessoas ao seu redor. Essa percepção pode fazer com que muitos pacientes normalizem os sintomas, adiem a procura por ajuda e deixem de receber o acompanhamento necessário para controlar a doença, prevenir novas crises e reduzir seu impacto na qualidade de vida.


Uma doença que também impacta a sociedade


A enxaqueca crônica não afeta apenas quem convive com ela.


Ela também gera impactos importantes para empresas e para o sistema de saúde.


Devido principalmente à perda de produtividade, afastamentos do trabalho, presenteísmo, funcionários com a produtividade comprometida e pessoas inaptas para operar no mercado de trabalho, a doença representa um impacto econômico anual estimado em cerca de R$ 168 bilhões, equivalente a aproximadamente 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.


Esses números mostram que ampliar o cuidado adequado para pessoas com enxaqueca crônica também representa um investimento para toda a sociedade.


Quais são os tratamentos para enxaqueca crônica?


O tratamento da enxaqueca envolve duas estratégias principais.

A primeira é o tratamento das crises, utilizado quando a dor já começou.

A segunda é o tratamento preventivo, indicado para reduzir a frequência e a intensidade das crises.


Além dos medicamentos, o cuidado pode incluir:


  • acompanhamento com neurologista;

  • mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, hidratação constante e sono reparador;

  • controle dos fatores desencadeantes;

  • prática regular de atividade física;

  • higiene do sono;

  • acompanhamento multiprofissional, quando necessário.



Nem todos os pacientes respondem da mesma forma aos tratamentos preventivos. Em alguns casos, as crises continuam frequentes mesmo após o uso de diferentes medicamentos. Nesses casos, o neurologista pode reavaliar o tratamento e considerar outras opções terapêuticas.


Por que ampliar o cuidado no SUS é importante?


Atualmente, pessoas com enxaqueca crônica atendidas pelo SUS não contam com um tratamento preventivo incorporado especificamente para essa condição. Isso pode limitar as opções de cuidado para pacientes que continuam apresentando crises frequentes e incapacitantes.


Ter acesso a uma opção preventiva pode representar um avanço no cuidado de pacientes que não conseguem controlar adequadamente a doença com as alternativas já utilizadas. Além de ampliar as opções de cuidado, isso pode contribuir para reduzir o impacto da enxaqueca na qualidade de vida e diminuir a necessidade de atendimentos relacionados às crises.


O que é uma Consulta Pública?


A Consulta Pública é uma etapa do processo de avaliação de tecnologias em saúde que permite ao governo ouvir a população antes de tomar decisões sobre a incorporação de tratamentos ao SUS.


No caso da enxaqueca crônica, a consulta pública nº 70 faz parte da avaliação de uma opção de tratamento preventivo que poderá ser incorporada ao SUS.


Durante o período de 05 a 24 de agosto de 2026 a sociedade pode contribuir e enviar sua opinião nesta consulta pública.


Podem participar pacientes, familiares, cuidadores, profissionais de saúde e qualquer

pessoa interessada no tema.


Os relatos de quem convive com a enxaqueca mostram como a doença afeta a vida real e ajudam os avaliadores a entender necessidades que nem sempre aparecem nos estudos científicos.



Como participar da Consulta Pública?


Qualquer pessoa pode enviar sua contribuição na Consulta Pública nº 70 por meio de um formulário na internet.


Na hora de participar, vale contar:

  • como a enxaqueca afeta sua rotina;

  • os impactos no trabalho, estudos e/ou os impactos no trabalho, estudos, vida familiar e/ou lazer;

  • quais tratamentos você já utilizou;

  • o que funcionou ou não funcionou;

  • por que ampliar as opções de prevenção de crises pode fazer diferença para pessoas com enxaqueca crônica.


Cada experiência contribui para enriquecer a avaliação e fortalecer a participação social nas decisões sobre o SUS.


Veja abaixo o vídeo tutorial e saiba como enviar a sua contribuição.



A Consulta Pública é uma oportunidade para que pacientes, familiares, profissionais de saúde e toda a sociedade participem da construção de um cuidado mais adequado para pessoas com enxaqueca crônica no SUS.






Essa campanha tem apoio da AbbVie.


Referências bibliográficas

  • Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1–211. doi:10.1177/0333102417738202.

  • Queiroz LP, Peres MFP, Piovesan EJ, et al. A nationwide population-based study of migraine in Brazil. Cephalalgia. 2009;29(6):642-649. doi:10.1111/j.1468-2982.2008.01782.x.

  • Steiner TJ, Stovner LJ, Jensen R, Uluduz D, Katsarava Z. Migraine remains second among the world's causes of disability, and first among young women: findings from GBD 2019. Nature Reviews Neurology. 2022;18(11):669-679. doi:10.1038/s41582-022-00638-5.

  • Ostwald DA, et al. Socioeconomic burden of main diseases in eight Latin American countries: the case of Brazil. WiFOR Institute; 2024.

  • World Health Organization. Headache disorders. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/headache-disorders

  • Lipton RB, Silberstein SD. Episodic and chronic migraine headache: breaking down barriers to optimal treatment and prevention. Headache. 2015;55(Suppl 2):103-122.


 
 
 

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