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Instituto Colabore com o Futuro promove evento comemorativo dos 25 anos da Política Nacional do Sangue e reforça avanços e desafios do SUS.

  • 23 de abr.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 24 de abr.




 

A Colabore com o Futuro promoveu, na Câmara dos Deputados, ato solene em celebração aos 25 anos da Política Nacional do Sangue, Componentes e Hemoderivados com a participação do Ministério da Saúde.



A iniciativa reuniu representantes do poder público, especialistas e associações de pacientes para destacar os avanços estruturantes da política, além de celebrar os 25 anos de uma política pública transversal e estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS).



Como parte da programação, o Congresso Nacional recebeu projeção mapeada com imagem comemorativa alusiva à Política Nacional do Sangue, Componentes e Hemoderivados, destacando a doação de sangue como um ato de cidadania que salva vidas, simbolizada por um coração e uma bolsa de sangue, além de evidenciar seu papel estratégico na construção de um sistema baseado na autossuficiência, sustentabilidade, segurança e soberania.



Impacto da política na vida dos pacientes e na qualidade do cuidado


A vice-presidente do Instituto Colabore com o Futuro, Andrea Bento, afirmou que a política representa um marco relevante para os pacientes, ao ampliar a segurança e a qualidade no acesso a transfusões e tratamentos com hemoderivados. Segundo ela, pessoas com doenças crônicas, como doença falciforme, hemofilia, talassemia e câncer, dependem diretamente dessa estrutura para a continuidade do cuidado. Avaliou ainda que, embora persistam desafios e haja um caminho a ser percorrido, os avanços alcançados ao longo dos últimos 25 anos já representam uma transformação concreta na vida dos pacientes, especialmente no que diz respeito à segurança do sangue e à qualidade do tratamento.



 “Esse marco de hoje, que celebra os 25 anos da Política Nacional do Sangue, Componentes e Hemoderivados, é uma conquista significativa, principalmente para os pacientes que hoje têm a tranquilidade de receber uma doação de sangue voluntária e de qualidade”. (Andréa Bento – Colabore)

 



Avanços na segurança transfusional e fortalecimento da hemorrede


A superintendente do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Estado de Goiás (HEMOGO), Ana Cristina Novaes Mendes, também participou da solenidade representado a Hemorrede Pública Nacional, destacou que, embora a Política Nacional do Sangue complete 25 anos, a hemoterapia no Brasil tem uma trajetória mais longa, iniciada em 1933, marcada por avanços contínuos e desafios permanentes.


“A evolução da hemorrede foi decisiva para ampliar a segurança transfusional, especialmente após os impactos da epidemia de HIV na década de 1990, com o estabelecimento de normas mais rigorosas, fortalecimento da coordenação nacional e incorporação de tecnologias como o teste NAT” (Ana Cristina Mendes – HEMOGO)

Ainda, em sua fala ressaltou a estrutura robusta da Hemorrede Pública Brasileira, presente em mais de 2.100 unidades hemoterápicas em funcionamento contínuo, e enfatizou que a atividade vai além da transfusão, incluindo o aproveitamento do plasma para a produção de medicamentos e o processamento celular necessário para transplantes. Relembra que não existe sangue liofilizado, dependemos 100% dessa doação voluntária e altruísta, e é muito nobre o que as pessoas fazem.


“Que, daqui a 25 anos, possamos ter ainda mais unidades, mais centros de processamento celular e maior produção de plasma, para que possamos ampliar o acesso a medicamentos à população”, finalizou.



Estrutura do sistema e centralidade da doação voluntária


A Coordenadora-Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Luciana Carlos, destacou que a Política Nacional do Sangue constitui um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo essencial para a realização de procedimentos de média e alta complexidade, como cirurgias, transplantes e tratamentos oncológicos.

“O funcionamento do sistema está diretamente vinculado à doação voluntária, altruísta e não remunerada, que garante a qualidade e a segurança do sangue ofertado à população.” (Luciana Carlos – Ministério da Saúde)

 

 

A gestora ressaltou ainda o processo histórico de consolidação da política, especialmente após os desafios enfrentados nas décadas de 1980 e 1990, quando o país passou a adotar padrões mais rigorosos de segurança e a proibir a comercialização do sangue, estruturando o Sistema Nacional de Sangue Componente e Derivados (SINASAN) e fortalecendo a hemorrede em todo território nacional.

“Por trás de cada cirurgia, cada atendimento de urgência e cada tratamento, existe um sistema trabalhando para garantir que o paciente receba uma transfusão segura e adequada. E a base desse sistema não são os serviços ou as tecnologias, mas sim o doador voluntário de sangue” (Luciana Carlos – Ministério da Saúde)



Sustentabilidade do sistema e articulação institucional no SUS


Arthur Mello, diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática (DAET) do Ministério da Saúde, destacou que a Política Nacional do Sangue é resultado de uma construção coletiva ao longo das últimas décadas e segue enfrentando desafios relacionados à sua sustentabilidade e à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).


“O Sistema Nacional de Sangue (SINASAN) está estruturado a partir de três pilares — a hemorrede, a indústria nacional de hemoderivados- a HEMOBRÁS - e a Coordenação-Geral de Sangue do Ministério da Saúde, sendo fundamental para garantir a oferta de sangue seguro e de qualidade à população. (Arthur Mello – Diretor do DAET)

Ele também ressaltou a importância da Hemobrás como elemento estratégico para a soberania nacional na produção de medicamentos hemoderivados do país, além de mencionar avanços recentes, como a ampliação do uso do Emicizumabe e os investimentos públicos voltados ao fortalecimento da produção de plasma e hemoderivados. Destacou ainda a necessidade de articulação entre governo, Parlamento, sociedade civil e associações de pacientes para a continuidade e o aprimoramento da política.


“O nosso sangue não é mercadoria. Ele não está à venda. É a partir da união entre governo, Parlamento, sociedade civil e associações de pacientes que conseguimos proteger esse sistema e garantir que ele continue atendendo às necessidades da população brasileira”. (Arthur Mello – Diretor do DAET)

 

 

Vivência dos pacientes e desafios no acesso ao cuidado

Representando a Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme (FENAFAL) e os pacientes com doenças hematológicas Elvis Magalhães compartilhou sua trajetória como paciente, destacando os desafios enfrentados em períodos anteriores, quando ainda havia menor segurança nas transfusões e limitações no acesso ao diagnóstico e tratamento adequado. Segundo ele, o acesso ao sangue foi determinante para sua sobrevivência e para a realização de procedimentos como o transplante de medula óssea e, posteriormente, de fígado.



“Eu recebi centenas de transfusões ao longo da vida, e foi isso que me manteve vivo para chegar até aqui. Hoje, a gente vê o quanto o sangue se tornou mais seguro, mas ainda há pacientes que enfrentam dificuldades, especialmente no atendimento de emergência”. (Elvis Magalhães)

 

O ato solene reafirmou a relevância da Política Nacional do Sangue, Componentes e Hemoderivados como uma das bases estruturantes do SUS, evidenciando os avanços alcançados ao longo dos últimos 25 anos. A iniciativa reforçou, sobretudo, o papel central da doação voluntária, altruísta e sem remuneração como expressão de cidadania e solidariedade, indispensável para a manutenção de um sistema público, seguro e universal, que segue salvando vidas e assegurando cuidado à população brasileira.



Confira o vídeo do evento





 
 
 

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