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Quando o letramento em saúde é uma ferramenta para construção de políticas públicas


Da esquerda para direita: Soraya Araújo Sócia da Colabore Com o Futuro

Por Soraya Araújo Nos últimos tempos, tem aumentado o interesse pelo “letramento em saúde”, mas o que significa isso? O “letramento em saúde” é definido como a capacidade das pessoas em obter, processar e compreender informações relacionadas à saúde e serviços necessários para adequadas tomadas de decisões em saúde. Este conceito inclui habilidades como ler e entender textos, localizar e interpretar informações contidas em documentos e comunicar-se efetivamente em temas relacionados à saúde. Além disso, fazem parte do letramento em saúde, as habilidades em lidar com informações e tarefas, como interpretar dosagem de medicamentos, rótulos de alimentos, medidas de níveis glicêmicos e pressóricos entre outros. Mas esse conceito não é novo. Ele surgiu em 1974 no artigo intitulado «Health education as social policy», e estava mais relacionado com as questões de promoção de saúde, mas foi somente no final da década de 90 que surgiram as primeiras definições do conceito e, desde então, tem evoluído. Atualmente o “letramento” vem sendo usado, não só para promoção da saúde individual, como uma ferramenta fundamental para o cidadão «navegar» nos sistemas de saúde, cada vez mais complexos O conceito tem ganhado destaque nas agendas de Patient Advocacy pois sua prática vai além da compreensão e realização de tarefas relacionadas com a saúde de cada cidadão. Com a percepção da importância do impacto da LS nos desfechos em saúde, se torna cada vez mais importante identificar o grau de letramento em saúde de cada paciente e adotar estratégias comunicativas que disseminem informação em saúde de modo mais efetivo tanto em âmbito individual quanto populacional. Ao falarmos do reflexo do LS em desfechos de saúde e sua contribuição para melhoria da saúde individual e populacional, podemos incluir o LS como uma estratégia de política pública de saúde. Empoderamento, autonomia, participação social, melhor controle de doenças por maior adesão aos tratamentos, melhor qualidade de vida, maior satisfação dos pacientes, e diminuição dos gastos com assistência são alguns dos benefícios atingidos (SUHAIL et al., 2021) são apenas algumas características dos ganhos com a prática do LS. No Brasil, a promoção do letramento em saúde dos cidadãos tem sido identificada como o caminho para a melhoria dos cuidados de saúde e assumida como uma preocupação na definição de políticas de saúde. Apesar do conceito ter sido utilizado pela primeira vez nos anos 70, foi somente no final da década de 90 que surgiram as primeiras definições do conceito e, desde então, este tem evoluído. Evoluiu de uma definição relacionada com desempenho de determinadas tarefas, numa perspectiva completamente individual, para um conceito que contempla não só a componente pessoal, mas também a componente social do indivíduo, assumindo-se como a capacidade de tomar decisões fundamentadas no seu dia-a-dia, assumindo as responsabilidades dessas decisões. Assim, em 1998, a OMS definiu literacia em saúde como o conjunto de “competências cognitivas e sociais e a capacidade dos indivíduos para acederem à compreensão e ao uso da informação, de forma a promover e manter uma boa saúde”. Pesquisas revelam que o LS é apontado como fator importante para a promoção e melhora da saúde da sociedade e que falta de compreensão do cuidado com a saúde e o autogerenciamento do tratamento está associado a maior risco de hospitalização, menor utilização de serviços preventivos, atraso no diagnóstico, menor conhecimento sobre fatores de risco, maiores custos e maior risco de mortalidade. Assim, o letramento em saúde, se torna cada vez mais importante para a construção de políticas públicas no Brasil e uma ferramenta essencial para o Advocacy. Ações de letramento da população sobre o autogerenciamento de sua saúde, capacitação de lideranças sociais sobre os processos decisórios, ensino e incentivo sobre participação em consultas públicas, por exemplo, são apenas algumas que podem fazer parte das ações estratégicas de Advocacy para aumentar a participação social nas decisões em saúde e construirmos políticas mais efetivas.


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