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Audiência pública da ANS debate incorporação de bimequizumabe para hidradenite supurativa

  • há 2 dias
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Em audiência pública realizada nesta sexta-feira (22), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) debateu a proposta de incorporação do Bimequizumabe no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde para tratamento da hidradenite supurativa ativa moderada a grave. A tecnologia recebeu recomendação preliminar desfavorável à incorporação e segue em consulta pública até o dia 2 de junho para recebimento de contribuições da sociedade.


Durante a apresentação técnica da agência, a especialista em regulação Ana Cecília de Sá Campello Faveret explicou que a análise comparou o bimequizumabe a terapias já disponíveis no Rol. Segundo a ANS, a avaliação identificou limitações metodológicas e incertezas relacionadas às comparações indiretas entre os tratamentos avaliados. A agência também apontou que alguns estudos demonstraram melhora em desfechos clínicos e na qualidade de vida, especialmente nas análises de longo prazo, entre 48 e 52 semanas. Entretanto, a avaliação técnica considerou que ainda existem limitações metodológicas relevantes, o que impactou a confiança nos resultados apresentados.



Na análise econômica, a ANS apontou que os estudos apresentados pelo proponente indicaram resultados diferentes a depender do cenário analisado. Enquanto uma das análises estimou aumento médio de aproximadamente R$ 5,5 milhões por ano para o setor de saúde suplementar com a incorporação do bimequizumabe, outro cenário avaliado pela agência indicou potencial economia anual de cerca de R$ 6,1 milhões, considerando ajustes na utilização dos tratamentos comparadores. Os cálculos levaram em consideração uma população estimada de aproximadamente 1.900 pacientes por ano.



Principais pontos apresentados pelos participantes



O Dr. Juarez Bianco, diretor médico de Imunologia da UCB Biopharma, defendeu a incorporação do bimequizumabe, destacando que pacientes com hidradenite supurativa frequentemente enfrentam longos períodos até o diagnóstico adequado e convivem com recorrência de lesões, dor e impacto significativo na qualidade de vida. Segundo ele, a doença apresenta perfis inflamatórios heterogêneos, o que reforça a necessidade de ampliar as opções terapêuticas disponíveis. O representante pontuou ainda que o bimequizumabe possui mecanismo de ação diferenciado, contribuindo para a ampliação do arsenal terapêutico, além de apresentar resultados sustentados em estudos clínicos de longo prazo, com melhora de inflamação, dor e qualidade de vida.

Tathane Rodrigues, líder médica em dermatologia da UCB Biopharma, afirmou que as evidências clínicas demonstram benefício relevante e sustentado no longo prazo para pacientes com hidradenite supurativa moderada a grave. Segundo ela, análises entre 48 e 52 semanas demonstraram melhora consistente em diferentes desfechos clínicos, incluindo controle inflamatório, dor e qualidade de vida. Também ressaltou que os dados de acompanhamento de até três anos indicam manutenção progressiva da resposta clínica e perfil de segurança considerado consistente e manejável.



A gerente de farmacoeconomia e preço da UCB Biopharma, Carla Biella, destacou que a avaliação econômica apresentada aponta potencial eficiência na alocação de recursos associada ao uso do bimequizumabe. Segundo ela, os estudos indicam possibilidade de controle clínico sustentado, melhora da qualidade de vida e potencial redução da utilização de recursos assistenciais ao longo do tempo. A representante também ressaltou que as análises de sensibilidade e os cenários alternativos apresentados mantiveram resultados considerados consistentes.



Maria Cecília de Machado, médica dermatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, destacou sua experiência no acompanhamento de pacientes com hidradenite supurativa e defendeu a ampliação das opções terapêuticas disponíveis para a doença. Durante sua participação, chamou atenção para os impactos físicos, emocionais e sociais causados pela condição, incluindo dor intensa, limitações funcionais e prejuízos à vida social e profissional. A médica ressaltou ainda a importância do acesso a tratamentos capazes de proporcionar melhora clínica sustentada e qualidade de vida aos pacientes.



A dermatologista e preceptora do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, Myrciara Madeco de Alcantara, destacou sua experiência clínica no acompanhamento de pacientes com hidradenite supurativa grave e gravíssima e afirmou observar respostas relevantes com o uso do bimequizumabe em pacientes com alta complexidade clínica. Segundo ela, o diferencial do medicamento está relacionado ao mecanismo de ação envolvendo bloqueio da IL-17F, ampliando as possibilidades terapêuticas para uma doença considerada heterogênea e sistêmica. A médica também avaliou que o acesso oportuno a terapias eficazes pode contribuir para evitar a progressão da doença e intervenções cirúrgicas complexas.



Vice-presidente da Psoríase Brasil, Célio Silveira afirmou que muitos pacientes com hidradenite supurativa convivem com dor, drenagem, limitações funcionais e impactos sociais importantes mesmo após diferentes tentativas terapêuticas. Em sua avaliação, a incorporação do bimequizumabe representa uma oportunidade de ampliar o acesso a novas alternativas terapêuticas para pacientes com necessidade clínica ainda não plenamente atendida. Ele também destacou a importância de decisões relacionadas ao acesso e à equidade no tratamento da doença.



Maria Vitória Soares, coordenadora do Ambulatório de Hidradenite Supurativa do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo e presidente da Sociedade Latino-Americana de Doenças Imunomediadas e Psoríase, ressaltou a importância de ampliar o arsenal terapêutico disponível para pacientes com hidradenite supurativa, especialmente diante da complexidade inflamatória da doença. Segundo ela, parte dos pacientes necessita de diferentes abordagens terapêuticas ao longo do tratamento, inclusive para permitir controle adequado da inflamação e melhor manejo clínico. A médica também compartilhou experiências clínicas envolvendo pacientes com melhora significativa após uso do bimequizumabe, incluindo redução de lesões inflamatórias e possibilidade de abordagem cirúrgica em melhores condições clínicas.

Raíssa Machado, enfermeira e paciente com hidradenite supurativa, destacou os impactos da doença na qualidade de vida dos pacientes e defendeu a incorporação do bimequizumabe como alternativa terapêutica para pessoas que convivem com sintomas persistentes e recorrentes. Durante sua fala, ressaltou que os estudos clínicos demonstram resposta rápida e sustentada ao tratamento, incluindo redução de abscessos, nódulos e fístulas. Também enfatizou o impacto da doença em atividades cotidianas, mobilidade, trabalho e bem-estar emocional dos pacientes.



O presidente da Crônicos do Dia a Dia, Gustavo San Martin, destacou os impactos físicos, emocionais e sociais enfrentados por pessoas com hidradenite supurativa, especialmente em razão do longo tempo até o diagnóstico e do agravamento progressivo da doença. Segundo ele, muitos pacientes chegam ao sistema de saúde já com importantes prejuízos à qualidade de vida, saúde mental e capacidade produtiva. O representante defendeu a incorporação do bimequizumabe como alternativa para ampliar as possibilidades terapêuticas disponíveis e atender pacientes com necessidades clínicas ainda não contempladas adequadamente.

Renata Magalhães, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, professora da Universidade Estadual de Campinas e chefe do Serviço de Dermatologia da Unicamp, defendeu a incorporação do bimequizumabe destacando que o medicamento apresenta estudos demonstrando eficácia e segurança para pacientes com hidradenite supurativa. Segundo ela, apesar das limitações existentes nas comparações entre tratamentos, a necessidade de ampliar as opções terapêuticas é real, especialmente diante da alta complexidade dos casos atendidos no serviço público. A médica também ressaltou o impacto assistencial da doença, com pacientes submetidos a longos períodos de internação, uso de múltiplos antibióticos e necessidade frequente de cirurgias, defendendo que novas alternativas terapêuticas podem contribuir para melhor controle clínico da doença e redução da demanda por procedimentos e internações.



Jéssica Tauane, comunicadora, ativista e fundadora da comunidade Nossa Pele HS, relatou os impactos físicos, emocionais e sociais da hidradenite supurativa na vida dos pacientes e defendeu a incorporação do bimequizumabe como forma de ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis para a doença. Segundo ela, muitos pacientes convivem durante anos com tratamentos ineficazes, progressão das lesões e necessidade frequente de atendimentos de emergência e procedimentos cirúrgicos. A ativista também ressaltou o impacto da doença na saúde mental, vida profissional e relações sociais, além da importância do acesso precoce a terapias capazes de proporcionar melhor controle clínico e evitar agravamento dos casos.

Por fim, Wagner César, dermatologista e especialista em hidradenite supurativa, defendeu a incorporação do bimequizumabe destacando a necessidade de ampliar as opções terapêuticas disponíveis para pacientes com a doença. Segundo ele, parte dos pacientes apresenta perda de resposta ou necessidade de diferentes abordagens terapêuticas ao longo do tratamento, especialmente nos casos mais graves. O médico também ressaltou que os estudos clínicos apresentados demonstram eficácia e segurança do medicamento, além de resultados relevantes no controle inflamatório e redução de túneis e lesões associados à hidradenite supurativa.



Próximos passos:

Após o encerramento do prazo para apresentação de contribuições na consulta pública, as manifestações recebidas serão analisadas e discutidas em reunião da Cosaúde. Na sequência, a equipe técnica da ANS elaborará o relatório final da proposta, podendo manter a recomendação preliminar desfavorável ou alterar o parecer para recomendação favorável à incorporação da tecnologia no Rol.




 
 
 

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