CIT atualiza regimento interno, avança no planejamento do SUS e apresenta agenda para fortalecer a regionalização da saúde
- há 2 horas
- 3 min de leitura

A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) pactuou, durante reunião realizada nesta terça-feira (14), uma série de medidas estratégicas para fortalecer a governança do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os principais destaques estão a atualização do regimento interno da Comissão, mudanças nas normas de planejamento do SUS e a apresentação da agenda que orientará a construção da nova Política Nacional de Regionalização.
Novo regimento interno moderniza funcionamento da CIT
A CIT aprovou a minuta de resolução que atualiza seu regimento interno, em vigor desde 2016. A revisão reorganiza a estrutura da Comissão e atualiza sua natureza, finalidade, competências, nomenclaturas e regras de funcionamento.
Uma das principais mudanças é o reconhecimento do papel da Câmara Técnica na organização e preparação das matérias que serão pactuadas pela Comissão. O novo texto também regulamenta as decisões tomadas ad referendum — mecanismo já utilizado pela CIT, mas que ainda não possuía previsão normativa específica.
Além disso, o regimento reúne, em um único documento, competências atualmente distribuídas em diferentes leis e decretos e detalha as atribuições do Plenário, da Câmara Técnica e da Secretaria-Executiva, responsável pelo suporte técnico e operacional da Comissão.
A resolução será assinada conjuntamente pelo Ministério da Saúde, pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Rede Vera Coelho fortalecerá a articulação entre gestores do SUS
Durante a reunião, também foi apresentada a proposta de criação da Rede Vera Coelho de Comissões Intergestores, homenagem à gestora que contribuiu para a construção do SUS.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer a articulação entre a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), as Comissões Intergestores Bipartite (CIB) e as instâncias regionais em todo o país, promovendo maior integração entre os gestores do sistema de saúde.
Entre as ações previstas estão:
promoção da troca de experiências e boas práticas;
modernização da infraestrutura e dos processos de gestão compartilhada;
apoio à implementação regionalizada e integrada das políticas públicas de saúde;
fortalecimento da governança do SUS;
incentivo à educação permanente e ao desenvolvimento institucional das Comissões Intergestores;
aprimoramento da comunicação e do compartilhamento de informações entre as instâncias de pactuação.
Planejamento do SUS terá normas atualizadas
A Comissão também pactuou a minuta de portaria que altera os artigos 94 a 100 da Portaria de Consolidação nº 1, atualizando as normas que orientam o planejamento do Sistema Único de Saúde.
A proposta reorganiza o tema em dois capítulos. O primeiro apresenta os conceitos, objetivos e princípios do planejamento no SUS, reforçando a importância da governança interfederativa, da participação social e do controle social.
O segundo capítulo trata dos principais instrumentos de planejamento utilizados pelos gestores, como:
Plano de Saúde;
Programação Anual de Saúde;
Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior;
Relatório Anual de Gestão.
O texto também reforça a importância das Conferências de Saúde na definição das diretrizes do planejamento e estabelece prazos para avaliação e aprovação dos relatórios de gestão.
A atualização foi construída ao longo dos últimos dois anos de forma tripartite, com a participação do Ministério da Saúde, do Conass e do Conasems.
Durante a reunião, foi anunciado ainda que o Ministério da Saúde publicará uma versão revisada do Manual de Planejamento do SUS, originalmente lançado em 2016. O documento será atualizado para incorporar conceitos relacionados ao planejamento, ao federalismo, à governança e à articulação interfederativa.
Agenda orientará a construção da Política Nacional de Regionalização
Outro destaque da reunião foi a apresentação da agenda interfederativa que servirá de base para a construção da nova Política Nacional de Regionalização do SUS.
A proposta busca fortalecer a organização regional do sistema de saúde, considerando as diferentes características dos territórios brasileiros e incentivando uma gestão compartilhada entre União, estados e municípios.
Os principais eixos definidos incluem:
governança interfederativa regional;
territorialização da saúde;
planejamento regional;
financiamento e equidade territorial;
organização regional das Redes de Atenção à Saúde;
gestão do trabalho e da educação na saúde;
gestão da informação e da comunicação;
fortalecimento da Atenção Primária à Saúde;
vigilância em saúde.
As diretrizes continuarão sendo debatidas e aperfeiçoadas até julho de 2027. Ao final desse processo, a expectativa é apresentar uma Política Nacional de Regionalização construída de forma participativa e adequada às diferentes realidades do país.
Os documentos orientadores serão disponibilizados na biblioteca do Ministério da Saúde.
Outras pactuações aprovadas
A reunião também resultou na pactuação de outras propostas importantes para o SUS, entre elas:
atualização da Portaria sobre a organização da Rede de Atenção à Saúde Bucal (RASB);
atualização da Portaria que regulamenta os Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD);
minuta de portaria sobre as Unidades Móveis de Rua (UMR) na Atenção Primária à Saúde e os incentivos federais para implantação e custeio;
Pacto pela Vida do Trabalhador.
A próxima reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) está prevista para o dia 27 de agosto.




Comentários