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Prevenção do HIV no Brasil: entenda o que é a PrEP e como participar da decisão sobre uma nova opção no SUS

  • há 2 dias
  • 8 min de leitura

A epidemia de HIV ainda é um desafio importante de saúde pública no Brasil.


Entre jovens de 15 a 29 anos, o número de novas infecções tem aumentado nos últimos anos. Esse cenário levanta uma pergunta importante: como fazer com que mais pessoas consigam se proteger do HIV?


Hoje já existem diferentes formas de prevenção. Uma delas é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que pode reduzir bastante o risco de infecção quando usada corretamente.


Agora o país discute a possibilidade de incluir a PrEP injetável de longa ação no SUS, e qualquer pessoa pode participar dessa decisão por meio de uma consulta pública.



O que é PrEP?


A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é uma forma de prevenção para pessoas que não têm HIV, mas querem se proteger do vírus.


Ela funciona com o uso de medicamentos antirretrovirais que ajudam a impedir que o vírus se estabeleça no organismo caso aconteça uma exposição.


Quando utilizada corretamente, a PrEP reduz significativamente o risco de infecção pelo HIV.



A PrEP está disponível no SUS?


Sim. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente diferentes formas de prevenção ao HIV e a outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Entre elas¹:


•Preservativos (camisinhas) e lubrificantes, distribuídos gratuitamente;

•PrEP oral, em comprimido de uso diário para pessoas com maior risco de exposição;

•PEP (Profilaxia Pós-Exposição), um medicamento de urgência que deve ser iniciado em até 72 horas após uma situação de risco (como relação sexual desprotegida ou violência sexual). O tratamento dura 28 dias;

•Testagem e prevenção combinada, incluindo testes rápidos e autotestes para HIV, sífilis e hepatites;

•Tratamento antirretroviral (TARV) para pessoas vivendo com HIV, que reduz a carga viral a níveis indetectáveis, impedindo a transmissão do vírus;

•Estratégias de redução de danos, voltadas para pessoas que usam álcool e outras substâncias, com foco na prevenção e no cuidado.


Mesmo com essas opções disponíveis gratuitamente, o Brasil registrou 46.495 novas infecções por HIV em 2023. Esse dado mostra que o desafio ainda é grande e reforça a importância de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico e a diferentes formas de prevenção combinada.² 



Quais são os desafios atuais da PrEP no SUS?


A PrEP oral é uma forma segura e eficaz de prevenção ao HIV. No entanto, na prática, muitas pessoas ainda encontram dificuldades para iniciar ou manter o uso contínuo do medicamento.


Entre os principais desafios estão o preconceito, a falta de informação e as desigualdades no acesso aos serviços de saúde.


Esses fatores podem dificultar a continuidade do uso do medicamento, fazendo com que algumas pessoas interrompam a prevenção antes do recomendado.


Estudos mostram que cerca de 39% das pessoas que iniciaram a PrEP interromperam o tratamento em algum momento.³


Entre adolescentes e jovens, a situação é ainda mais preocupante. Pesquisas indicam que aproximadamente 50% dos adolescentes e jovens que iniciam a PrEP acabam abandonando o acompanhamento ou o uso do medicamento.⁴, ⁵



Por que a PrEP injetável pode ajudar


A PrEP injetável de longa ação é uma alternativa para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário da PrEP oral.


Em vez de tomar um comprimido todos os dias, a versão injetável é aplicada por um profissional de saúde em intervalos maiores, o que pode facilitar a continuidade da prevenção.⁶


Ampliar o acesso a opções de prevenção de longa duração pode aumentar a continuidade do cuidado, especialmente entre jovens e pessoas que enfrentam mais barreiras no acesso à saúde. Quanto mais adequadas às diferentes realidades forem as formas de prevenção disponíveis, maiores são as chances de manter a proteção ao longo do tempo.⁷


Estudos também indicam que, mesmo com a PrEP oral disponível, o Brasil pode registrar cerca de 600 mil novos casos de HIV nos próximos 10 anos, se novas estratégias de prevenção não forem ampliadas. Nesse cenário, a incorporação da PrEP injetável poderia evitar aproximadamente 385 mil infecções, além de gerar uma economia estimada de R$ 14 bilhões em custos com tratamento no mesmo período.⁸



A inclusão da PrEP injetável no SUS pode representar um passo importante na resposta ao HIV e na redução das desigualdades em saúde.


Trata-se de ampliar as opções de prevenção e ajudar a garantir que mais pessoas consigam se proteger.


Agora, temos a chance de contribuir com a disponibilização da PrEP injetável de longa ação no SUS, já disponível na rede privada.



Consulta pública: como a população pode participar dessa decisão


Neste momento, está aberta uma consulta pública sobre a inclusão da PrEP injetável no SUS.


A consulta pública é um formulário online aberto pelo governo para ouvir a opinião da população antes de tomar uma decisão que impacta o sistema de saúde.


Qualquer pessoa pode participar — cidadãos, profissionais de saúde, pesquisadores ou organizações.


Ao participar, você ajuda o governo a entender que essa demanda é importante para o futuro da prevenção do HIV no Brasil.



Como participar


Participar é simples:

• Acesse o site da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS).

• Busque a consulta pública sobre a PrEP injetável para prevenção do HIV.

• Escolha o formulário de contribuição individual ou técnica.





No campo de opinião, você pode:

•Dar sua percepção em relação à possível incorporação da PrEP injetável no SUS;

•Explicar seu ponto de vista dessa estratégia de prevenção no Brasil;

•Dizer quais são, na sua visão, os efeitos dessa tecnologia para a saúde pública.

•Um novo passo na prevenção do HIV


Também preparamos um tutorial com o passo a passo para ajudar.

[vídeo incorporado ao site]



A PrEP injetável representa um novo capítulo na resposta ao HIV.


Ampliar as formas de prevenção é uma forma de fortalecer o SUS e garantir que mais pessoas tenham acesso a proteção, informação e cuidado.


Agora é o momento de participar.


Contribua com a consulta pública e ajude a construir um futuro com mais prevenção, equidade e saúde para todos.






Referências


1.BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para profilaxia pré-exposição (PrEP) oral à infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, [2024]. Disponível em: Referências


2.BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim epidemiológico: HIV e Aids 2024. Número especial, dez. 2024. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Versão eletrônica.

3.ANTONINI, M. et al. Barreiras para o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 76, p. e20210963, 2023.

4.RIVAS, Diana Reyna Zeballos. Adesão e descontinuidade da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) entre adolescentes homens que fazem sexo com homens, travestis e mulheres transexuais no Brasil. 2023. Tese (Doutorado em Saúde Pública) – Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2023. Disponível em: Referências


5.SEROTA, D. P. et al. Pre-exposure prophylaxis uptake and discontinuation among young black men who have sex with men in Atlanta, Georgia: a prospective cohort study. Clinical Infectious Diseases, v. 71, n. 3, p. 574–582, 2020.

6.GRINSZTEJN, B. et al. ImPrEP CAB Brasil: enhancing PrEP coverage with CAB-LA in young key populations. In: CONFERENCE ON RETROVIRUSES AND OPPORTUNISTIC INFECTIONS (CROI), 2025, San Francisco, CA. Anais [...]. San Francisco: CROI, 2025. p. 192.

7.IMPREP. Conscientização e intenção de usar a PrEP entre jovens HSH e mulheres transgênero no Brasil. 02 set. 2025. Disponível em: Referências


8.BERNARDINO, G. et al. EE782 The landscape of pre-exposure prophylaxis (PrEP) in Brazil: challenges, advances, and opportunities as a public health strategy in the battle against HIV/AIDS. Value in Health, v. 27, n. 12, p. S209, 2024.

 
 
 

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