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Leucemia Linfocítica Crônica (LLC): sintomas, desafios e por que o SUS precisa avançar no acesso ao tratamento

  • há 3 horas
  • 5 min de leitura


A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é um tipo de câncer do sangue ainda pouco conhecido pela população, mas que afeta milhares de brasileiros todos os anos, especialmente pessoas acima de 50 anos.


Hoje, enquanto os planos de saúde já oferecem terapias inovadoras para quem convive com a doença, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não têm acesso às mesmas opções de tratamento. Na prática, isso significa que pessoas com a mesma doença recebem tratamentos diferentes apenas por estarem em sistemas de saúde distintos, e isso precisa mudar.


Em breve, o Ministério da Saúde vai abrir uma consulta pública para ouvir a população sobre este tema e este é o momento de garantir que todos os pacientes com LLC tenham o direito ao melhor cuidado possível.



A seguir, explicamos o que é a LLC, seus principais desafios e como você pode participar da consulta pública para ajudar a transformar esse cenário.


Entendendo a Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)


A Leucemia Linfocítica Crônica é um câncer de sangue raro caracterizada pelo acúmulo de linfócitos B disfuncionais no sangue, medula óssea, linfonodos e outros órgãos. Esse acúmulo compromete o sistema imunológico, interfere na produção de outras células sanguíneas no paciente, levando o aumento de gânglios linfáticos, citopenias (anemia, trombocitopenia e neutropenia) e maior risco de infecções graves.¹


Trata-se de um câncer de evolução lenta, que pode permanecer sem sintomas por anos, mas que exige acompanhamento especializado contínuo.


A Leucemia Linfocítica Crônica no Brasil: números que não podem ser ignorados


Segundo o INCA, o Brasil registra cerca de 11.540 novos casos de leucemias por ano, sendo que, deste total, 3.808 (cerca de 33%) são de LLC


Estima-se que cerca de 90% das pessoas diagnosticadas com LLC tenham mais de 50 anos.³⁻⁴

Isso indica que a doença é mais frequente em adultos mais velhos, muitas vezes ainda ativos, reforçando a importância do acesso ao tratamento adequado para essas pessoas.


Quais são os sintomas da Leucemia Linfocítica Crônica?


Em muitos casos, a LLC não apresenta sintomas no início e é descoberta em exames de sangue de rotina. Quando os sinais aparecem, os mais comuns incluem:


  • Gânglios linfáticos aumentados (ínguas no pescoço, axilas, virilha)

  • Fadiga intensa e fraqueza

  • Perda de peso inexplicada

  • Suores noturnos

  • Febre sem causa aparente

  • Infecções frequentes, devido à baixa imunidade

  • Sensação de estufamento abdominal (baço ou fígado aumentados)

  • Anemia e baixo número de plaquetas, podendo causar palidez e sangramentos


Os desafios do dia a dia dos pacientes com LLC


Conviver com a LLC significa enfrentar uma série de dificuldades que vão além do diagnóstico médico:


1. Decisão sobre quando iniciar o tratamento

Por ser uma doença que pode evoluir lentamente, o início da terapia nem sempre é imediato — o que gera insegurança.


2. Gestão de uma doença crônica

A LLC é uma condição para toda a vida. O acompanhamento contínuo exige rede de apoio, consultas frequentes e orientação de uma equipe especializada.


3. Impacto emocional e psicológico

Incertezas, medo da progressão da doença e mudanças na rotina provocam ansiedade e sofrimento emocional.


4. Riscos associados

Pacientes com LLC têm risco aumentado de desenvolver outros tipos de câncer, especialmente o de câncer de pele.


5. Efeitos colaterais de terapias mais antigas

Atualmente, o tratamento oferecido pelo SUS é a quimioterapia que tem limitações importantes. Esse tipo de tratamento pode não funcionar bem para todos os pacientes devido à baixa taxa de resposta completa, além de causar muitos efeitos colaterais. Entre eles estão maior risco de infecções, enjoo, vômitos e possíveis problemas nos rins e no fígado.



Relatos de pacientes reforçam o impacto da doença: um cansaço repentino que “derruba”, dores sem explicação, medo do futuro, preconceito e efeitos severos da quimioterapia tradicional.


Como os avanços no tratamento podem transformar a vida de quem vive com LLC


Os avanços no tratamento da LLC representam um marco importante no cuidado aos pacientes, especialmente para aqueles com doença recidivada ou refratária. Terapias alvo, que são tratamentos mais modernos, atuam de forma direcionada e têm demonstrado resultados clínicos significativamente superiores à quimioterapia tradicional:


  • Redução de 83% no risco de progressão da doença em 2 anos em pacientes recidivados ou refratários⁵

  • Redução de 47% no risco de óbito em 7 anos⁵

  • Redução de 70,3% da doença residual mínima⁶, permitindo maior chance de remissão


Para os pacientes, essa mudança significa recuperar autonomia e a possibilidade de viver momentos importantes com mais liberdade.


Limitações no acesso ao tratamento da LLC no SUS


Os tratamentos atualmente disponíveis na rede pública não atendem adequadamente todos os perfis de pacientes:


  • Apenas 18% conseguem resposta completa com as terapias hoje usadas no SUS⁷

  • Cerca de 39% desenvolvem infecções graves⁸

  • 37% falham ao tratamento de primeira linha e tornam-se recidivados ou refratários⁸⁻⁹


Muitos pacientes que não têm plano de saúde precisam do SUS. Por isso, ampliar o acesso a tratamentos mais modernos e eficazes na rede pública não é apenas uma decisão técnica baseada em evidências: é uma questão de equidade e direito à saúde.


Sua voz pode influenciar decisões em saúde: saiba mais sobre consulta pública!


Uma consulta pública é um mecanismo oficial do Governo Federal que permite que qualquer pessoa participe das decisões governamentais por meio de um formulário na internet.


Em breve, será aberta uma consulta pública sobre a disponibilização de terapias alvo no SUS para pacientes com LLC recidivada — quando a doença retorna após o término do tratamento — ou refratária, nos casos em que a quimioterapia não trouxe os resultados esperados.


Esse é um espaço democrático em que pacientes, familiares, profissionais da saúde, entidades e cidadãos podem compartilhar suas vivências, percepções e argumentos para participar de uma decisão que afeta milhares de pessoas.


Participar é simples, gratuito e leva poucos minutos, mas pode transformar o curso de uma política pública. Você poderá contribuir diretamente pelo formulário oficial no site Brasil Participativo.


No campo de justificativa, cada pessoa pode escrever de acordo com sua relação com a causa. Aqui estão sugestões:


Se você é paciente com LLC


  • Relate seus sintomas e desafios diários

  • Comente como a falta de tratamento avançado limita sua vida

  • Explique por que precisa de terapias mais eficazes e seguras


Se você é familiar ou cuidador


  • Descreva o impacto da doença na rotina da pessoa querida

  • Fale sobre as dificuldades com tratamentos atuais no SUS


Se você é profissional da saúde


  • Aponte limitações das terapias disponíveis hoje no SUS para o pacientes com LLC recidivada e/ou refratária

  • Comente sua experiência clínica com LLC

  • Argumente sobre eficácia, segurança e benefícios das terapias alvo


Se você é apoiador da causa


  • Reforce o princípio da equidade no acesso dos pacientes a seu tratamento

  • Destaque que planos de saúde já oferecem tratamentos inovadores, como as terapias alvo


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Referências

  • Mukkamalla SKR, Taneja A, Malipeddi D, et al. Chronic Lymphocytic Leukemia. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470433/.

  • INCA. Estimativa 2023 - Incidência de Câncer no Brasil.

  • American Cancer Society. Key Statistics for Chronic Lymphocytic Leukemia (CLL).

  • Rodriguez-Abreu D, Bordoni A, Zucca E. Epidemiology of hematological malignancies. Ann Oncol. 2007;18(1):i3-i8.

  • Seymour JF, Kipps TJ, Eichhorst B, et al. Venetoclax–Rituximab in Relapsed or Refractory Chronic Lymphocytic Leukemia. N Engl J Med. 2018;378:1107-20.

  • Kater AP, Harrup R, Kipps TJ, et al. MURANO study. Blood. 2025;145(23):2733–45.

  • Tam CS, O'Brien S, Plunkett W, et al. Blood. 2014;124(20):3059-64.

  • Conitec. Relatório nº 450, Março de 2024.

  • Mato A, Jahnke J, Li P, et al. Real-world treatment and outcomes.

 
 
 

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