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A doença avança rápido. O acesso ao tratamento não pode ser devagar: por que a Leucemia Mieloide Aguda exige respostas urgentes

  • há 3 horas
  • 5 min de leitura



A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é uma doença grave, agressiva e de progressão rápida. Para quem recebe esse diagnóstico, tempo é vida. Cada dia sem tratamento adequado pode significar mais riscos, mais sofrimento e menos chances de sobrevivência.


No Brasil, porém, ainda existe um descompasso entre a urgência da doença e o acesso aos tratamentos mais avançados no Sistema Único de Saúde (SUS). Este artigo explica o que é a LMA, quais são os principais desafios enfrentados pelos pacientes e por que a participação da sociedade em uma consulta pública é essencial para mudar essa realidade.


O que é Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e quais as suas causas


A Leucemia Mieloide Aguda é um tipo raro e muito agressivo de câncer do sangue. Nessa doença, a medula óssea começa a produzir células sanguíneas que ainda não estão maduras e funcionam errado. Por causa disso, o corpo não consegue produzir direito os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, o que pode causar anemia (falta de glóbulos vermelhos), baixa imunidade (por falta de glóbulos brancos) e dificuldade de coagulação do sangue (por falta de plaquetas).¹


A LMA pode ser causada por fatores genéticos e pela exposição a substâncias químicas (como o benzeno), radiação e tabagismo.


Como consequência, o organismo fica mais vulnerável a infecções graves, sangramentos e complicações potencialmente fatais. Por isso, a LMA é considerada uma emergência médica, que exige diagnóstico e tratamento rápidos.


Quem é mais afetado pela Leucemia Mieloide Aguda?


Embora possa afetar pessoas mais jovens, a LMA acomete principalmente idosos, com idade média ao diagnóstico de 68 anos¹,³.


No Brasil, são estimados cerca de 11.540 novos casos de leucemia por ano, sendo aproximadamente 30% de Leucemia Mieloide Aguda, o que representa cerca de 3.462 novos casos anuais²,⁴.


Quais são os sintomas da Leucemia Mieloide Aguda


Os sintomas da LMA estão diretamente relacionados à queda das células sanguíneas saudáveis. Conheça os sinais que podem alertar para a Leucemia Mieloide Aguda.


Relacionados à anemia (poucos glóbulos vermelhos)⁵⁻⁷:

• Fadiga intensa e cansaço extremo

• Fraqueza e palidez

• Falta de ar aos esforços

• Tonturas e dores de cabeça


Relacionados à neutropenia (poucos glóbulos brancos)⁵⁻⁷:

• Febre

• Infecções frequentes e graves, como pneumonias e infecções de garganta


Relacionados à trombocitopenia (poucas plaquetas)⁵⁻⁷:

• Hematomas que surgem com facilidade

• Sangramentos nasais e gengivais frequentes

• Petéquias (pequenos pontos vermelhos na pele)

• Menstruação intensa


Outros sintomas comuns⁵⁻⁷:

• Perda de peso e apetite sem causa aparente

• Suores noturnos

• Dor nos ossos ou articulações

• Sensação de inchaço abdominal por aumento do fígado ou baço

Muitos pacientes relatam um cansaço repentino, que surge do nada e tira completamente as forças, além de dores e sangramentos sem causa aparente.



Os desafios enfrentados por quem convive com a Leucemia Mieloide Aguda


A idade avançada, o estado geral de saúde e a presença de comorbidades fazem com que muitos pacientes com LMA sejam inelegíveis à quimioterapia intensiva, ficando sem alternativas de tratamento no SUS⁸,⁹.


Esses pacientes inelegíveis apresentam um quadro mais grave da doença (pior prognóstico), com maiores chances de complicações sérias e menor tempo de vida (menor sobrevida global). Estudos indicam um risco de morte 79% maior em comparação com pacientes elegíveis à quimioterapia intensiva¹⁰.


Além disso, há relatos frequentes de sofrimento físico e emocional, medo constante do futuro e até preconceito por parte de pessoas próximas, que acreditam, de forma equivocada, que a doença pode ser contagiosa.


Como terapias avançadas ajudam os pacientes com Leucemia Mieloide Aguda


Estudos demonstram que tratamentos inovadores representam um avanço importante no tratamento da LMA, especialmente para pacientes inelegíveis à quimioterapia intensiva:


  • Redução do risco de morte¹³

  • Aumento da taxa remissão completa

  • Redução na necessidade de transfusões de sangue


Além de melhorar a sobrevida, esses tratamentos reduzem internações e transfusões, trazendo benefícios também para o sistema de saúde.


Qual é o contexto do SUS que precisamos mudar para os pacientes com Leucemia Mieloide Aguda


No SUS, pacientes com LMA inelegíveis à quimioterapia intensiva geralmente não são candidatos ao transplante de medula óssea e contam com apenas uma opção terapêutica⁸,¹².


Enquanto isso, os planos de saúde já oferecem tratamentos avançados. A doença não espera e o acesso a esses tratamentos também no SUS não deveria esperar.


Essa disparidade reforça a decisão do Ministério da Saúde de considerar a elaboração do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da LMA como prioridade, abrindo espaço para a incorporação de tratamentos inovadores no SUS⁸,¹².


Consulta pública: sua voz pode mudar esse cenário


Uma consulta pública é um instrumento oficial do governo que permite que a sociedade participe das decisões do país.


Por meio de um formulário online, qualquer pessoa pode registrar sua opinião, experiência e argumentos, contribuindo para decisões mais justas, transparentes e alinhadas às necessidades reais da população brasileira.


Durante a consulta pública sobre a LMA, diferentes públicos podem contribuir de formas complementares:


Se você é paciente:

Conte como a doença impacta sua vida, a urgência do tratamento e como o acesso a tratamentos inovadores pode representar mais tempo e qualidade de vida.


Se você é familiar ou cuidador:

Relate os desafios vividos no cuidado diário, como a doença afeta o núcleo familiar e a importância de opções terapêuticas mais eficazes.


Se você é profissional de saúde:

Destaque a agressividade da LMA, as limitações do tratamento atualmente disponível no SUS e as evidências científicas que sustentam a incorporação de tratamentos inovadores.


Se você é apoiador da causa:

Reforce o princípio da equidade no acesso à saúde, lembrando que pacientes do SUS merecem o mesmo nível de cuidado já disponível no sistema privado de saúde



📩 Participe e fique por dentro


Na Leucemia Mieloide Aguda, tempo é vida. A sua participação pode ajudar a acelerar o acesso a tratamentos que salvam vidas.











Apoio AbbVie.


Referências

ANS: Agência Nacional de Saúde Suplementar; BCL-2: proteína 2 do linfoma de células B; DDT: Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas; HR: hazard ratio; IC: intervalo de confiança; LMA: leucemia mieloide aguda; QT: quimioterapia; SG: sobrevida global; SUS: Sistema Único de Saúde.

1.Ferrara F, Schiffer CA. Acute myeloid leukaemia in adults. Lancet. 2013;381(9865):484–95.

2.INCA. Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil.

3.Observatório de Oncologia. Panorama da atenção da Leucemia Mieloide Aguda no SUS.

4.Rodriguez-Abreu D, Bordoni A, Zucca E. Epidemiology of hematological malignancies. Ann Oncol. 2007;18(1):i3–i8.

5.ACS. AML Early Detection, Diagnosis, and Types. https://www.cancer.org/content/dam/CRC/PDF/Public/8676.00.pdf.  

6.NCI. Adult AML Treatment (PDQ)–Patient Version. https://www.cancer.gov/types/leukemia/patient/adult-aml-treatment-pdq

7.De Kouchkovsky I, Abdul-Hay M. Blood Cancer J. 2016;6(7):e441.

8.Ministério da Saúde. Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas: Leucemia Mieloide Aguda do adulto.

9.Griffiths EA et al. Advances in non-intensive chemotherapy treatment options for AML. Leuk Res. 2020;91:106339.

10.Percival MM et al. Survival of patients with newly diagnosed high-grade myeloid neoplasms. Haematologica. 2021;106(8):2114–20.

11.Pallotta Filho RS et al. Acute myeloid leukemia in elderly patients. Brazilian J Glob Heal. 2022;2(7):21–5.

12.ANS. Anexo II da RN nº 465/2021.

13.DiNardo CD et al. Azacitidine and Venetoclax in Previously Untreated AML. N Engl J Med. 2020;383(7):617–29.




 
 
 

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